A IMENSA PREGUIÇA

ANDRE BARION, ANDRE BONTORIM, BEATRIZ RUCO

ELENI BAGAKI, GABRIELLA GARCIA, IGNACIO GATICA,PEDRO CAETANO,

RENATO CASTANHARI, RICARDO CARIOBA, SERGIO PINZÓN 

19.07 a 18.08.2018

Curadoria: Guilherme Teixeira

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isto não é sono. é vibraçãO.

A imensa preguiça é isso, uma mistura de vontade e desígnio, um olhar outro para uma prática que seja que aqui chamamos contemporânea. Um lugar para pensar processos de ressignificação, edição, apropriação e derretimento, em seus diversos graus de aplicação. Não foi proposto aqui a criação de um ambiente asséptico e liso, comum aos métodos de produção e exposição hoje, mas a ideia de um espaço onde procedimentos e fatura são colocados à prova, a partir das tensões que as aproximações e distanciamentos entre estes trabalhos apresentam, e falar disso a partir de diversas linguagens que articulam não apenas as suas questões discursivas inerentes, intrínsecas, mas também apontam para uma discussão sobre os ensejos da produção hoje.

Um pé que descansa sobre um banco, cortados por textos de um diálogo construído em oposições; um suporte onde a relação entre um emissor e um receptor se dissolve na fatura de uma pintura, em um campo de cor de um tom sinônimo de trocas afetivas, um correio elegante a um outro tempo que seja; uma montanha que escorre, tingida de tons neons, e que nos pergunta sobre as relações que tecemos com aquilo que chamamos paisagem; um acúmulo de extrações que se espalha e espelha no chão, conduzindo o espectador à uma outra percepção do espaço; um vaso onde um homem corre, printado de um gif que anuncia a fuga de uma juventude para um ambiente selvagem, aos modos de um bloom, que cresce no decorrer da exposição, acabando por ser reclamado por aquilo que almeja; uma capa de livro que encobre um corpo de tijolos, os quais aqui, na sua impossibilidade de leitura, nos sussurra as idiossincrasias de um lugar em construção; três cabos que se expandem, que tomam o fundo da galeria, aqui, cobertos com a matéria mesma de sua utilidade última; um reverb intermitente que emula a construção de um espaço a partir da manipulação de frequências; um fragmento de natureza equilibrado em um resto de carnaval; uma ilusão holográfica de um motoboy a cento e vinte por hora na Radial, depois de um rabo de galo com Duchamp e Oiticica.

A Imensa Preguiça é isso. A defesa do ócio, a constatação do valor efetivo do deslocamento, tanto do corpo, quanto do objeto, para uma posição inicial de inércia contemplativa. Um lugar para Russell nenhum botar defeito.

A Imensa Preguiça não é sono, é vibração

Guilherme Teixeira, Julho 2018