GARRANCHÓN

MARIANO BARONE

19.07 a 18.08.2018

Curadoria: Amanda Arantes

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Garranchón remete a garrancho, nome dado às escritas feias, e caracteriza aqui o traço irregular do desenho e também uma qualidade rudimentar que se apresenta, de diferentes formas, no conjunto da produção de Mariano Barone. A mostra reúne algumas pinturas, desenhos, e trabalhos que até o momento não encontraram uma classi cação adequada. Por enquanto podemos chamar de lonas as obras em que Barone sobrepõe camadas de tecido sobre a parede, é uma solução temporária para nomear essa coisa instável, xada com grampos ou pregos, como os tapumes que escondem construções ou aqueles tecidos pobres que só servem para ser fundo de sofá.

 

Difícil evitar a associação dessas obras à visualidade urbana e sua arquitetura temporária, pois elas são feitas dos mesmos materiais encontrados em tendas do comércio popular ou nas barracas das calçadas. Não se trata, no entanto, de um elogio da precariedade. Trata-se de um jogo de composição onde coisas diversas - seja um material coletado na rua ou uma tela reaproveitada de outro trabalho - podem ser material de pintura. É o que o artista propõe ao buscar uma espécie de “pintura pronta” nas dobras do tecido laranja que aparece em Nilo, e também no plástico queimado de Jacuzzi Piñata.

 

E entre uma lona e outra surge um desenho que parece uma fonte, uma planta, ou algo que queima, tanto faz. No m das contas importa pouco o que é desenhado, e importa mais o ato de rabiscar. Barone cria uma iconogra a pessoal enquanto exercita uma espécie de caligra a às avessas, em que a limpeza do desenho é atravessada todo o tempo pela rasura e pelo apagamento. É uma atitude quase obsessiva de desenhar várias vezes a mesma coisa, pintar por cima, tentar cobrir o que foi feito, que se revela em Killer’s Beach ou no pedaço de compensado que compõe Money Mula. Mais uma vez, uma estética similar à do espaço urbano, com sua pichação às vezes ilegível ou coberta por tinta.

 

O resultado é um trabalho imprevisível e instável, onde convivem o gesto do artista e o efeito do tempo e do acaso. Sabrosita, por exemplo, já teve o frescor e a energia que Chasquibum exibe hoje, mas está fadada ao esfarelamento. Nesse movimento de transformação constante, a obra de Mariano Barone parece produzir suas próprias ruínas.

Amanda Arantes, Julho 2018