QUE HORAS SÃO?

Bruno Brito | Christiana Moraes | Eurico Lopes | Fernanda Valadares | Guilherme Portela | J. Pavel Herrera | Lucas Costa | Luís Teixeira | Marcelo Pacheco | Marcos Fioravante | Mariano Barone | Martin Lanezan | Matheus Machado | Nina Kreis | Regina Johas | Renato Castanhari | Ricardo Alves | Sergio Pinzón | Shu Lin

29.11.2018 A 12.01.2019

Mostrar Mais

Que horas são? – a informação talvez virá, mas é já antes, na pergunta ainda sem resposta, que um tempo comum se instaura: o tempo da interpelação, da convivência, da busca pelo compartilhamento. É nesse berço da hora que esta exposição se situa, buscando entender a partir da convivência o exercício de estabelecimento do tempo.

Como funcionários da galeria, relacionamo-nos diariamente com as exposições, encontramo-nos com as obras na reserva técnica, trazemo-las para fora quando o artista solicita ou caso haja algum comprador, organizamos catálogos, feeds. Funcionários e peças de arte ocupam o mesmo espaço. Trabalhos e obras são os componentes desta atividade viva, e ambos compartilham esse tempo etéreo da reserva escura, dos camarins onde se espera a hora de ir à luz.

A hora: é o ir à luz, o aparecer, o mapa para além do tempo da interpelação, a informação geral. Mas quando é a hora? Quando é que isto que aqui se cozinha vai à boca? Quando é que a existência da galeria acontece? As pessoas entram e saem deste espaço, algumas se demoram, outras não, algumas compram obras, outras apenas visitam. E é sempre um segredo o que se passa na cabeça do público, dos funcionários, das obras, dos artistas. Quando é que dessa dança geral salta e se firma a hora?

Convidamos todxs a este exercício de investigação da convivência, da interpelação, do antes da luz, a partir do qual se estrutura o que poderá vir a ser o tempo comum. As obras descem da reserva técnica como se desejassem não serem apenas obras, mas seres ansiando por entrarem em contato, por estabelecerem entre si as possíveis formações da hora. Tal como os varais de Levi-Strauss em busca da estrutura comum, ou como se repetissem nossos gestos cotidianos, esperando na fila de algum atendimento, também as obras se aproximam, afastam-se, refletem-se, encaram-se, isolam-se, aninham-se, jogam. É incerto se esperam algo de nós ou se preferem ficar entre si.

Temos aqui pelo menos uma obra de cada artista representado pela galeria. Quisemos fazer ver as vigas internas que a constituem. Talvez o tempo da interpelação seja um tempo de revisão, como se perguntássemos sem sobressaltos, atenciosamente, “o que está acontecendo aqui?”, mas a interpelação correta é esta: estamos aqui – que horas são?

 

 

Lucas Negri e Mariana CS Bastos